Livro mostra obra do ex-governador e ex-senador Adolpho de Oliveira Franco

Pouca gente sabe, mas o homem que introduziu o planejamento público no Paraná chama-se Adolpho de Oliveira Franco (1915-2008), bisneto do brigadeiro Franco. Ele criou, em 1955, o Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná – Pladep, instrumento que, no início dos anos 1960, no primeiro governo Ney Braga, alavancou o desenvolvimento estadual. O plano é o principal legado de Adolpho, eleito governador para completar o mandato de Bento Munhoz da Rocha Neto (na época não existia a figura de vice-governador).

Mas a obra de Adolpho no governo não parou por aí. Na curta gestão, de apenas dez meses, ele modernizou o ensino, valorizou o funcionalismo público, iniciou a política de reflorestamento, criou vários parques florestais e também a Polícia Florestal. E instituiu os prêmios Paraná de Cultura de literatura (romance, cultura histórica, poesia e ensaio ou crítica) que, infelizmente, não tiveram continuidade.

A passagem de Adolpho pelo governo do Estado está descrita em 12 dos 39 capítulos do livro “Adolpho de Oliveira Franco – advogado do Paraná”, que começou a ser distribuído ontem (12/11). Escrito pelo jornalista Walter W. Schmidt e pelo advogado e ex-deputado federal Adolpho de Oliveira Franco Filho, o livro tem prefácio de Luiz Geraldo Mazza e depoimentos assinados por Léo de Almeida Neves, Eduardo Rocha Virmond, Belmiro Valverde Jobim Castor, Nivaldo Krüger e Luiz Alberto Dalcanale. O título, modéstia à parte, é de autoria deste colunista.

Adolpho passou a infância ao lado do primo Manoel de Oliveira Franco Sobrinho, um dos maiores juristas do Paraná e do Brasil. Quando estudante de Direito, no Rio de Janeiro, na primeira metade da década de 1930, Adolpho virou amigo do escritor Jorge Amado e do político Carlos Lacerda. Formado, abriu escritório de advocacia com o primo e o tio Manoel de Oliveira Franco. Em pleno Estado Novo e nos primeiros tempos da redemocratização de 1946, defendeu colegas de profissão acusados de subversivos. Foi eleito presidente da seccional paranaense da OAB. Durante dois anos ministrou aulas de Direito Civil, disciplina que dividiu com Lauro Fabrício de Melo Pinto, Edgard Chalbaud Sampaio e Gaspar Lacerda Pinto na Faculdade de Direito de Curitiba.

No começo dos anos 1950 passou a presidir o Banco Comercial do Paraná S/A, Bancial, fundado em 1942, em Ponta Grossa, por Raphael Papa. Ficou na presidência até 1974, quando o banco foi incorporado pelo Bamerindus.

No início do governo Café Filho, em 1954, logo após o suicídio do presidente Vargas, Adolpho foi nomeado diretor da Carteira Agrícola e Industrial do Banco do Brasil por indicação do amigo Bento Munhoz da Rocha Neto, então governador do Paraná. Já preocupado com as questões ambientais, ele abriu crédito para o reflorestamento.

Udenista, presidiu o partido no Paraná quando o governador era Ney Braga. Organizou um dos maiores congressos que a agremiação realizou em sua história. Com o apoio de Ney, Adolpho elegeu-se senador em 1962, numa histórica dobradinha com Amaury de Oliveira e Silva, um dos próceres do PTB. Destacou-se no Senado pela luta contra o confisco cambial do café e pela oposição ao governo João Goulart. Apoiou o golpe de 1964, mas desencantou-se com o rumo tomado pelos militares. Depois de 1964, o Congresso Nacional havia se transformado em casa homologatória das decisões do Planalto, dizia. Não se acostumou ao bipartidarismo instituído por Castello Branco e foi membro da Arena, o partido situacionista, embora sem ter assinado a ficha de filiação. Desgostoso, desistiu de concorrer à reeleição em 1970.

Adolpho tinha uma paixão por jornais. Era leitor voraz e chegou a ser acionista e até diretor de alguns periódicos, como Gazeta do Povo, O Estado do Paraná, Diário do Paraná (o de Caio Machado, em 1946, e o de Adherbal Stresser, em 1955) e a Folha do Norte do Paraná, de Maringá, fundado por dom Jaime Luiz Coelho. Foi ainda sócio de João Milanez na TV Tarobá, de Cascavel.

Com 408 páginas, o livro não mostra somente a longa trajetória pública de Adolpho, registrando também alguns episódios marcantes da história do Brasil e do Paraná. Os autores levaram dois anos e meio para pesquisar e escrever o livro.

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