Leon Peres, a crise e o livro

Por Walter Schmidt –  Lá se vão 50 anos da história que, como diria David Nasser nas páginas de O Cruzeiro, abalou o Paraná. História de corrupção, conspiração política, arapongagem e dias conturbados sobre a passagem de oito meses de Haroldo Leon Peres pelo Palácio Iguaçu. E que está virado livro.

O historiador Jair Elias dos Santos e o jornalista Jean Feder mergulharam fundo no caso e contam tudo sobre o período em “1971 – Conspiração, conflitos, corrupção: a queda de Haroldo Leon Peres”. O texto está sendo finalizado.

Carioca, Leon Peres se mudou em 1951 para Maringá para ser fazendeiro, professor e político. Foi deputado estadual (58 e 62) e federal (66). Conseguiu ser indicado, em fins de 1970, para o governo do Paraná, contrariando tanto o então governador Paulo Pimentel quanto o ex Ney Braga. Tomou posse a 15 de março de 1971.

Envolveu-se em atritos com a Assembléia Legislativa e com o Tribunal de Justiça (TJ), tendo recorrido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para sustar decreto do TJ que aumentara os vencimentos da magistratura e para garantir reformas na Constituição do Paraná anuladas na Justiça. Mandou a polícia invadir redações de jornais e estúdios de televisão — inclusive os de Paulo Pimentel — que criticavam sua atuação no governo.

No início de novembro de 1971, Brasília o aconselhou a renunciar diante de processo movido contra ele por corrupção. Era acusado de haver exigido do empreiteiro Cecílio Almeida um depósito generoso para liberar o pagamento de 60 milhões de cruzeiros devidos pelo Estado pela construção da Estrada de Ferro Central do Paraná. A conversa dele com Cecílio teria sido gravada pelo SNI, o que nunca foi confirmado.

No dia 23 de novembro, renunciou, transmitindo o cargo ao vice Parigot de Souza. O livro promete fazer sucesso.

(Transcrito do Di´rio Indústria & Comércio, de Curitiba, de 11.02.2021).

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