A medida tem tudo para gerar descontentamento e críticas por parte das editoras de livro didáticos que vendem suas obras ao ministério da Educação mediante concorrência pública e seleção prévia. Um editor questiona se o papel do Estado é o de publicar livros ou apostilas didáticas. E lembrou a história do Livro Único, que chegou a ser editado no início da década de 1960, pelo Ministério da Educação durante o governo de João Goulart.

Ele disse que o Livro Único provocou uma onda de protestos e em Curitiba houve até uma marcha contra essa publicação. Trinta mil pessoas fizeram em 24 de março de 1964 uma passeata da Praça Santos Andrade até o Palácio Iguaçu para pedir que o livro não fosse adotado nas escolas paranaenses.

A ideia de publicação de apostilas por parte do governo do estado, apresentada como Material de Apoio Didático do Paraná, é do secretário da Educação, Renato Federal e vem sendo desenvolvida desde o início da gestão, em janeiro.

Para justificar o seu plano, a SEED promoveu uma consulta pública sobre o material, cujo principal resultado foi a constatação de que para 60% dos profissionais de educação que participaram da pesquisa o melhor formato do material é o da apostila. De acordo com informação divulgada nesta quinta-feira (25) pela Agência Estadual de Notícias, a consulta teve como finalidade conhecer as necessidades e expectativas dos profissionais e estudantes das redes de educação em relação ao material.

O engajamento surpreendeu: foram 22 mil respostas de alunos, tanto dos anos iniciais quanto finais do Ensino Fundamental e Médio, e cerca de 10 mil participações de profissionais, de todas as regiões do Estado.

Diz ainda a notícia oficial que os estudantes apontaram, de forma geral, que os livros didáticos utilizados atualmente não estimulam o uso da tecnologia, o trabalho extra-classe e o aprendizado em grupo. E que muitos acreditam que as atuais publicações não contemplam a realidade e o contexto locais. Como expectativa, tanto professores quanto estudantes dizem que gostariam de receber um material que trabalhe com metodologias ativas, a fim de estimular outras competências e habilidades dos jovens. Os alunos também querem ter contato com textos que abordem as características culturais do Paraná e que proponha pesquisas fora da sala de aula.