Novas mídias mudam relações produtor-cliente, diz consultor

Carioca e radicado em Curitiba há quase dez anos, o consultor em comunicação corporativa Evandro Barreto (foto), autor de um dos livros mais importantes sobre publicidade do Brasil (Abóboras ao vento – tudo o que a gente sabia sobre propaganda mas está esquecendo) e observador atento do fenômeno das novas mídias, ensina que todo aquele que oferece produtos tem que, necessariamente, interagir com o consumidor sob pena de, não o fazendo, perder o trem da história.

 

Esse é, segundo Evandro, um dos principais motes da comunicação no século XXI, pois o que se verifica hoje é que “as relações interpessoais entre todos os níveis, inclusive entre produtor, vendedor e consumidor estão mudando com muita velocidade em razão da verdadeira explosão nas comunicações”. Estão aí as novas mídias, diz, e as corporações vão se dar bem com elas, principalmente as que “tiverem melhores olhos e ouvidos para perceber e receber, antes e depois de emitir, conceito, produto ou políticas”. E acrescenta: “É hora até de repensar o cartesianismo, mesmo porque René Descartes não tinha Ipad”.

 

As mudanças e o surgimento de uma forma de pensar diferente podem levar Barreto, criador e coordenador de mais de 400 campanhas premiadas no Brasil e no exterior, a atualizar o seu livro, que teve esgotadas duas edições da Editora Globo, ou então, a escrever um novo sobre a publicidade no século XXI. “Mas uma coisa é praticamente certa: em 2014 vou lançar um blog especializado em generalidades e com muitas abordagens e considerações sobre propaganda”, informa.

 

Exemplo – Barreto, que trabalhou nas maiores agências de publicidade do País e foi vice-presidente da Associação Brasileira de Propaganda, diz que “a grande mídia ainda não se deu conta de que existe no mercado uma engenhoca nova chamada impressora 3D que permite à pessoa produzir ou reproduzir, em sua própria casa, uma série de produtos e na medida do seu interesse”.  Se o início do século passado assistiu o deslanchar da produção em série, hoje o próprio consumidor tem oportunidade física de personalizar uma série de produtos, comenta. “Isso é um exemplo das mudanças e isso mexe com toda a concepção de empresa, com a gestão de marketing, com o relacionamento com o consumidor e até com a comunicação política”, analisa.

 

Cidadão-Procon – Evandro ainda observa sobre as novas mídias que das manifestações de rua de junho“ uma das coisas que você decodifica é que o cidadão, ainda que de forma caótica, exerceu o papel de Procon dos políticos”. E o que se viu, complementa, é que “o que divide se multiplica”, pois “quando você partilha em rede, seja sua reivindicação ou a sua indignação, e encontra eco, ninguém segura”.

 

Desculpas pelo sucesso – Evando Barreto foi diretor de comunicação do primeiro Rock in Rio Festival e continua ligado até hoje a Roberto Medina, criador e organizador do evento. E conta um caso ocorrido no Rock in Rio desse ano: “Em função das novas mídias, todos os ingressos para todos os dias se esgotaram em menos de duas horas, deixando milhões de interessados frustrados. Resultado: a organização teve que recorrer à mídia tradicional para dar satisfações ao público. Tive que escrever anúncio de página inteira para jornais explicando que a procura foi tão maior que a oferta que, se fôssemos atender a todos, teríamos que multiplicar o evento por dez. Foi o único anúncio que escrevi na vida pedindo desculpas pelo sucesso”.

 

Nomes famosos – Evandro faz consultoria, a partir de Curitiba, para instituições de vários Estados, principalmente sobre comunicação corporativa (“mais a imagem da corporação do que de produtos”) e marketing político, e para entidades no Exterior. Há poucos anos fez uma campanha para o governo de Angola sem sair de Curitiba. “Foi sobre o lançamento da raspadinha, que alcançou um sucesso impressionante”, comemora. Na área imobiliária, ele é responsável por mais de 400 lançamentos, tanto no Rio como em São Paulo e no Paraná.

 

Quando trabalhava no Rio e em São Paulo, criou e realizou no exterior os primeiros comerciais brasileiros estrelados por grandes nomes do cinema mundial – David Niven e Frank Sinatra – para o uísque Passport.  E contratou para a publicidade diretores oriundos do cinema de longa metragem, como Arnaldo Jabor, Bruno Barreto e Carlos Manga. Além de “Abóboras ao vento”, Evandro também escreveu o livro de crônicas “Na mesa cabe o mundo – de Paris ao bar da esquina, o gosto que a vida tem”, pela Editora Conexão Paris.

 

Do Diário Indústria & Comércio.

 

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