Quem tem pressa come cru

Por Walter Schmidt – O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e seus principais assessores estão montando às pressas o futuro governo. Antes mesmo das reuniões das equipes de transição, o futuro ministério nacional está montado, com a maioria de seus titulares já indicados. Está certa a fusão dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio, que resultará num superministério  da Economia. Certa também a fusão das pastas da Agricultura e Meio Ambiente. É quase certa também a unificação dos ministérios da Justiça e Segurança Pública.

Numa correria sem precedentes, o futuro governo vai montando a sua estrutura. Percebe-se que não há estudos para a tomada de decisões. Tudo é elaborado sem cuidados, sem aprofundamentos, sem reflexões, sem bases concretas. Tudo é feito com uma pressa que não encontra justificativas. O novo governo só começará daqui a dois meses, tempo suficiente para que tudo seja analisado com cautela e com base nas informações a serem fornecidas pela administração Temer no chamado período de transição.

O enxugamento da máquina estatal é válido e necessário, mas não pode ser feito de forma demagógica e superficial. A engrenagem é complexa e a sua desmontagem requerer estudos, projetos e planos bem elaborados, bem construídos, bem fundamentados. Reunir, por exemplo, as pastas da Fazenda e da Indústria e Comércio não faz sentido, tanto que a classe industrial já manifestou seu descontentamento. A fusão da Agricultura e do Meio Ambiente é outra questão polêmica e até contraditória, o que também está provocando protestos, tanto que já se diz que o futuro presidente quer pensar melhor sobre o tema.

Reduzir a estrutura de governo não é só fundir ministérios. É, antes de mais nada, eliminar a superposição de funções e atividades, é cortar privilégios e despesas, é reduzir o número de secretarias,  departamentos e seções. Isso vale para a administração direta e para a indireta.

É mais do que conhecido o velho ditado: o apressado come cru. E é exatamente isso o que está ocorrendo. A pressa tem sérias consequências, normalmente negativas. Consertar os erros de agora vai exigir tempo e muito dinheiro mais adiante. Então, calma com o andor que o santo é de barro.  (31/10/2018).

Walter Schmidt é jornalista.

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