Gol de placa

Por Ivan Schmidt – O jornal Folha de S. Paulo, na edição de domingo passado, publicou em página dupla a relação dos virtuais pré-candidatos aos governos estaduais, Estado por Estado.

No espaço reservado ao Paraná aparecem os nomes da vice-governadora Cida Borghetti, do deputado estadual Carlos Massa Ratinho Jr e do ex-governador Roberto Requião.

Não é possível que a editoria de Política do referido jornal, uma das mais competentes do país, desconheça a evidência de que o ex-senador Osmar Dias também é nome obrigatório nessa lista, já que é tão pré-candidato quanto os demais citados. E além dele há também a manifestação do prefeito Cesar Silvestre Filho (PPS), de Guarapuava, e especulações ainda tímidas quanto à pré-candidatura de Valdir Rossoni (PSDB), atual chefe da Casa Civil do governo Beto Richa, defensor da inclusão dos tucanos na disputa.

Na verdade, o nome de Roberto Requião (a juízo de muitos) sequer deveria ser lembrado, porquanto o macróbio político apresenta-se muito mais como um outsider no cenário da sucessão estadual, embora já não tenha o vigor necessário para a corrida, até mesmo pela renhida disputa pelo controle do diretório regional do PMDB, um partido claramente em vias de extinção no Paraná.

Dizem os conhecedores dos desvãos da nossa política que o ex-governador se debate com o dilema da reeleição do filho Maurício, um dos raríssimos que o partido conseguirá manter na Assembleia Legislativa em 2018.

Por esse motivo de ordem paternal Requião ainda não sacramentou a opção que deve tomar no ano que vem, embora fazendo o que mais aprecia, ou seja, confundir a cabeça dos eleitores. Assim, ele continua a se comportar com uma esfinge ora dizendo que voltará a disputar a vaga no Senado, ora o governo do Estado ou até mesmo uma cadeira de deputado federal, aparentemente convencido de que dessa forma poderia fazer uma dobradinha com o filho, assegurando-lhe a conquista do segundo mandato de deputado estadual.

Figura das mais controvertidas e combatidas na política doméstica, Requião conseguiu a façanha quase inigualável de espantar de seu entorno a maioria absoluta dos antigos aliados, incluindo o sobrinho João Arruda, para não falar de Mário Pereira, Orlando Pessuti, Luiz Cláudio Romanelli, Nereu Moura e outros parlamentares que bateram em retirada do partido.

Aliás, uma das vertentes da resenha que provavelmente deverá crescer nos próximos meses, faltando um ano para as eleições, é que Requião tentará a aproximação com Osmar Dias (que a Folha não chega a citar como pré-candidato) – nesse caso tentando prosseguir no Senado – justamente por ver na aliança o caminho que lhe resta para reeleger o filho.

O mesmo interesse foi manifestado pelos deputados federais petistas Enio Verri e Zeca Dirceu, cuja pretensão de voltar para mais um mandato na Câmara passou a sofrer uma espécie de assédio representado pela decisão ainda não oficializada pela senadora Gleisi Hoffmann, mas bem perto disso, de optar pela chamada Câmara Baixa tendo em vista a quase impossibilidade de continuar senadora e, pior, perder o foro privilegiado.

Osmar que ainda pertence ao PDT, cuja seção estadual é integrada pelos auxiliares mais próximos desde o tempo em que presidiu a extinta CAFE do Paraná, no governo José Richa, repete que precisa de um partido que lhe garanta a condição de apoiar a candidatura do irmão Álvaro à presidência da República.

Vai daí, o espertíssimo presidente nacional da sigla criada por Leonel Brizola, o antigo cantor de boleros Carlos Lupi, que de bobo não tem nada, se apressou em avisar que não há a menor restrição à proposta formulada por Osmar Dias, mesmo que o PDT tenha abrigado a candidatura presidencial de Ciro Gomes.

Ora, o pormenor não somente confirma a pré-candidatura de Osmar ao governo do Estado, como lhe assegura a plena confiança do presidente do partido quanto às chances reais de — dessa vez – vir a ocupar a principal cadeira do Palácio Iguaçu.

O que seria um gol de placa para um partido que até hoje se ressente de grandes conquistas eleitorais, especialmente num Estado da pujança socioeconômica e cultural do Paraná.

Ivan Schmidt é jornalista

 

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